quarta-feira, 20 de outubro de 2010
A Hora é Essa, Presidente!
Reproduzo aqui um texto escrito por Sidarta Ribeiro, gentilmente cedido por ele. Este texto foi publicado na coluna dele, Limiar, na revista Mente e Cérebro
E dedico este texto especialmente a todos que se orgulham da ciência realizada hoje neste país e principalmente aos que desejam poder ficar aqui, sem ter que ir embora do país para fazer ciência de qualidade, como tantos tiveram que ir antes de nós.
Se continuarmos no caminho que estamos hoje, esta realidade passará a ser apenas uma opção!
A Hora é Essa, Presidente! - Sidarta Ribeiro
Quase 8 anos atrás, assisti comovido à posse do primeiro Presidente operário do Brasil. Começava ali um imenso experimento social. Diante das dificuldades postas em 2003, o sucesso de Lula é quase um milagre. Somos um país com enorme força criad prol do bem comum, mobilizando capital humano para imprimir direção progressista à sociedade.
Relendo agora o discurso de posse, verifico que quase todas as promessas foram integralmente cumpridas. O país voltou a “crescer, gerando empregos e distribuindo renda”. Incrementou-se “o mercado interno, e investiu-se fortemente em capacitação tecnológica e infra-estrutura”. Lula disse: “ este é um país que pode dar, e vai dar, um verdadeiro salto de qualidade”. Foi o que aconteceu. Rumamos para ser “uma nação (...) consciente da própria importância no cenário internacional e, ao mesmo tempo, capaz de (...) acolher (...) todos os seus filhos”. Embora muitas vezes Lula tenha cedido para avançar, teve sempre como bússola a opção pelos mais fracos.
No discurso de posse, Educação e Ciência aparecem associadas à confiança em nosso capital humano: “Este é o País do novo milênio (...) por sua competência intelectual e científica (...), pelos dons e poderes do seu povo”. No governo Lula, os Ministérios da Educação, da Ciência & Tecnologia e da Cultura catalisaram a geração e disseminação do conhecimento. Houve aumento de salários e bolsas, expansão do número de vagas, e a criação de muitos pontos de cultura, escolas técnicas, universidades e institutos de pesquisa. Nunca se financiou tanto a mente brasileira como agora, num processo que ampliou oportunidades na base da sociedade e impulsionou a pesquisa de ponta.
Escrevo a um mês das eleições. A julgar pelas pesquisas, teremos a primeira mulher Presidente do Brasil. Alguns a criticam por ser radical. Trata-se de uma pessoa que teve a coragem física de resistir à ditadura. Uma mulher inteligente que valoriza e articula com eficácia o saber técnico. Lidera ampla aliança partidária e pode ter maioria no Congresso. Governará uma economia pujante, vasta riqueza biológica e mineral, e uma população relativamente pequena para nosso imenso território. Se tiver a bússola tão firme quanto a de Lula, poderá completar nossa transformação em país de todos.
Mas para isso será necessária certa radicalidade. Por favor, Presidente: adote idéia radicais na Educação. Cumpra a Carta-Compromisso da Educação, avaliando e oferecendo formação continuada a todos os professores, premiando os bons mestres e tratando com atenção aqueles inaptos a ensinar. Crie bolsas de estudos para todo aluno pobre, premie o desempenho escolar e garanta que nenhum aluno se desgarre pelo caminho. E por favor, vá além: federalize a carreira de professor, equiparando salários em todos os níveis aos vencimentos dos professores universitários.
Parece uma idéia louca, mas na verdade é apenas justa e necessária. O mais importante para o futuro são as nossas crianças. A revolução está ao alcance de suas mãos, Presidente. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.
Deixo aqui também o depoimento de Miguel Nicolelis, de apoio a Dilma Roussef
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